Minha história, e um desabafo!

27 Oct 2016

 

Esse é um post pessoal talvez. Conta um pouco da minha história, mas também é post de alerta. E também é post que reflete muito do que aprendi no caminho. 

 

Eu trabalhei como física (minha formação original) até largar tudo para fazer e ensinar a fazer cosméticos naturais e sustentáveis, que é um assunto que sempre me tocou. Quando digo "largar tudo" é tudo mesmo, muita coisa: morava na Holanda (que eu ainda amo) e voltei ao Brasil, tinha um emprego, e salário excelentes lá, tinha um namorado, morava numa casa grande. Mas tinha algo em mim que queria ir um pouco mais longe do que a vida corporativa podia chegar. Na verade o que fazia meu coração bater era meu hobby: estudar, produzir e pensar em cosméticos naturais, em consumo consciente e uma vida com mais sentido. Era uma espécie de chamado pra mim: era a maneira que eu podia contribuir pra fazer o planeta mais bacana, coisa impossível, eu pensava, pra quem produzia microchips cada dia menores e mais potentes.

 

Foi aí que aceitei a "proposta" de um grupo de "empresários" que queriam investir em cosméticos naturais. Achei que era a hora de investir num sonho tão antigo, e tão trabalhado em cursos, experimentos, estudo.... muito estudo. A idéia parecia ótima se não fossem.... as pessoas que estavam me fazendo a proposta.

 

Voltei pro Brasil cheia de esperança de montar uma linha bacana. Super natural. Acessível. Moderna. Sempre soube que fazer cosméticos bacanas era caro, mas acreditava que nada que uma boa idéia e a ajuda certa não fossem capaz de superar. E eles tinham dinheiro.

 

Mas o caminho não é assim simples, porque cosmética natural virou a bola da vez dos investidores. Grandes companhias estão incorporando pequenos produtores locais e artesanais, comprando suas "histórias" e limpando sua barra com o consumidor. Famoso "green wash". Pessoas também estão fazendo isso. E foi triste ver o quanto.

 

E isso, infelizmente, muda muito pouco o mundo. Um produto com ingredientes naturais sem cuidado com o todo, não é um produto bacana. Pode igualmente perpetuar abusos de todas as naturezas: financeiros, com os animais, com o planeta, com as pessoas. 

 

Tem muita gente que não está nem aí pra nenhuma dessas coisas, e quer apenas "investir bem seu dinheiro", "gerar lucro". A motivação é egocentrica, egoísta e pequena. Não pensam em melhorar o mundo, nem que seja nossos pequenos "mundos". 

Tive o azar de cruzar com esse tipo na minha "ex-sociedade".

Gente que acha que "entende" de cosmético, mas não entende nada de pessoa.

Gente que acha que empreender é só "comprar"uma boa idéia, e contratar um monte de gente pra botar no mercado.

É preciso ter amor pelo que se faz, é preciso entender essa idéia tão delicada, nova e bonita dos produtos naturais. É respeitar o local, as pessoas, as idéias...

E cosmético é afeto.

Cosmético é nossa expressão e o cuidado consigo.

Como a gente pode pensar em cuidar de si sem cuidar do resto?

Como alguém pode entender de "cosmético" sem entender de gente?

Essa maneira de pensar cosmética é a maneira antiga e convencional das grandes companhias: é pensar em inventar necessidades, em diminuir as pessoas e suas complexidades lindas. Em reduzir a grandeza das diferenças, nuances e pessoalidades. Isso a industria cosmética faz muito bem.

E isso a gente deve tentar fazer diferente.

É preciso que começemos a criar formas novas de produzir e consumir. É preciso co-criar nossos produtos com clientes, alunos e colaboradores.

 

Desisti da empreitada absurda que me foi proposta, desisti das pessoas bizarras que chegaram a mim, que usavam expressões como "bio-babaca", que tinham desprezo pela educação e conscientização.

 

Saí pelo caminho esburacado e pé no chão da cosmética artesanal. Que é o que acredito de verdade.

Não me arrependo.

Conheci pessoas incríveis nessa estrada. Continuo conhecendo. Gente indo na mesma direção. Cada dia mais, cada dia mais gente.

Porque um trabalho feito com coração traz gente que tem o coração como guia.

Fiz e faço trabalhos que me emocionam e me tocam profundamente. Que me transformam.

 

Talvez de outra forma eu estivesse mais rica... mas o mundo certamente estaria mais pobre.

 

Pensando bem, esse post é pra falar como é díficil empreender esse tipo de empreitada, mas também como é bonito fazê-lo  e seguir o que se acredita. Porque nas horas mais díficieis, é a fé num mundo mais bacana que faz a gente ganhar de verdade.

 

 

 

 

 

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